post da Martinha Fonseca

Diário de Madame #64

medo sim, coragem também

07 ago 17

Tem vezes que faz sentido mesmo ter medo. Já foram tantas as feridas abertas, as palavras que machucaram, as ações que feriram…que dá medo mesmo de se apegar a uma nova ideia, um novo projeto, uma nova perspectiva de mudança que indica que – ufa! – as coisas finalmente vão caminhar.

Mesmo sendo uma reação compreensível, e até mesmo esperada, no entanto, não dá para ficar só no medo, sabe? Tem aquela famosa frase que roda os instagram´s por aí: “vai! e se der medo, vai com medo mesmo“. E é curioso que, embora eu tenha pavor a auto ajuda barata, de tempos em tempos, é a esse tipo de frase com aparente conteúdo vazio e usado à exaustão sem muito critério que eu recorro. Tem vezes que até elas fazem sentido.

Porque, para além do medo normal que a gente costuma sentir em certas ocasiões da vida, tem um certo tipo de medo que a gente respeita mais: aquele que veio de um trauma mesmo, de uma situação que se repete e sempre machuca, que finca bandeira nas profundezas de quem você é, e fica ali sempre latente, à espera de acontecer tudo de novo, trazendo aquela dor que você já conhece tanto…

Mas sabe o que é, madame, a vida não pára, e é preciso ir além do medo, dos traumas, da paralisia de temer que algo que você tanto quer não aconteça, Porque se ao mesmo tempo faz sentido ter medo, faz sentido também você fazer sua parte para sair da inércia e conquistar algo que você deseja.

É como se, se a gente quisesse, pudesse separar a vida em duas gavetinhas: nessa gaveta daqui eu assumo que dá medo mesmo e que tem motivo para dar, e por isso mesmo é bom ficar atenta, segurar a expectativas, respirar fundo e esperar tudo se concretizar antes de comemorar. Ao mesmo tempo, mas separadamente, você precisa se lembrar de uma outra gavetinha mental, onde você pode depositar seus pensamentos positivos e, mais importante ainda, sua ações para que, ativamente, você se sinta parte do processo, se sinta no comando da sua vida e sinta que, de um jeito ou de outro, o que você tanto deseja um dia vai acontecer. E quando acontecer, você saberá que você fez por onde, você contribuiu, você se esforçou, você fez sua parte.

<3

 

 

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Festa do pijama

#Madame29

31 jul 17

Há 10 anos que eu comemorava meu aniversário e foi estranho, pela primeira vez, não me dedicar horas a fio para decidir o tema, organizar comidas e bebidas, convidar os amigos e, por fim, curtir aquela folia de aniversariante que eu gosto tanto. De todo modo, os 365 dias que compõem meus 28 anos serão lembrados com orgulho.

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Talvez aqui nos diários e também por conta de certo desânimo que acabou aparecendo em vídeos e stories no instagram, vocês tenham percebido que a carga que eu carreguei ao longo desse último ano estava meio pesada. E ainda está.  Mas ficando quietinha (se comparada aos meus meus padrões de leonina aniversariante) deu para perceber que tinha muita coisa legal para celebrar. E faz um bem danado se dar conta disso: de que apesar de certas coisas fora do lugar aqui ou acolá, tinha muita coisa boa acontecendo também e que era preciso valorizar isso.

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Desde que minha mãe morreu, eu fui me fechando para o mundo e para o afeto.  Me abrir era difícil, e eu que sempre fui  carinhosa, pegajosa e até melosa, era chamada de “distante” por algumas pessoas. Algumas amigas, como essas das fotos, sempre insistiam: “a gente vai te ensinar a abraçar, você vai  ver“. E não é que eu não soubesse abraçar, mas realmente foi um aprendizado voltar a me permitir isso. Obrigada, lindinhas.

Ao longo dos 28 anos, percebi que tinha horas que eu me sentia super sozinha – a gente é programada socialmente para esperar que certas pessoas desenvolvam certo papéis, e é dolorido perceber que esse mundo perfeitinho não existe. A pessoas doam aos outros  o que querem e o que podem doar e cabe a nós percebermos e aceitarmos isso, dedicando energia no que de fato podemos mudar ou temos controle. Aceitação foi uma palavra desses 28 anos, e a tirar pela dificuldade que ainda tenho de entender isso, será também uma palavra dos 29.

Ao longo desse último ano, houve também um processo lindo de amadurecimento na minha relação com meu corpo. Percebi que eu posso sim, que eu consigo sim, comer melhor, ser mais saudável, me ensinar novas maneiras de consumir os alimentos certos. E eu ainda me vi derrapando na neura algumas horas, mas outras tantas eu olhava pro espelho e pensava, “seu corpo é naturalmente lindo, viu? nada demais querer mudar algo que te incomoda, mas não pire, não”. Aceitação novamente apareceu aqui.

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E se eu pudesse, eu compartilharia aqui, cada uma dessas “esferas” da vida que  me ensinaram muito aos longo dos últimos 365 dias. Mas não quero ser repetitiva ou cansativa por aqui. Quero apenas reafirmar que não foi fácil, não foi tranquilo e sem dor, mas valeu à pena. Me sinto mais forte e mais capaz de ser eu mesma, mais corajosa para me defender de certas circunstâncias que a vida traz, mais tranquila em perceber meus limites (embora ainda precise de uma ajudinha aqui) e com fôlego renovado para continuar batalhando por meu espaço ao sol, mudando o que precisa ser mudado (principalmente em mim) e aceitando o que não pode ser mudado (principalmente nos outros).

Aos meus 28 anos, meu obrigada. Aos meus 29 que estão só começando, uma mensagem: estou chegando com tudo, tá?

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fotos: @mariannacalmon

ps: não me achem louca quando eu digo que não “tive festa nem comemorações”, tá? É só porque eu não fiz uma festa propriamente minha no dia do meu aniversário, com temas, DIY, personalizações, balões e etc, como costumava fazer. Mesmo assim, eu tive essa sessão de fotos de aniversário no tema “festa do pijama” que foi super divertida, e ainda ganhei uma festa surpresa na semana do aniversário que foi a coisa mais linda do mundo! :)

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Diário de Madame

i´m not done changing

26 jun 17

Nesses dias paradões de são joão (pelo menos para mim que não fui dançar forró no interior), me peguei acompanhando um polêmica em torno da blogueira Rayza Nicacio, da qual eu ainda não tinha tomado pé até então. Eu não sou  muito de acompanhar o trabalho dela, mas lendo alguns comentários, deu para entender que ela tem sido acusada bastante de “ter mudado” desde que se separou do marido, com várias leitoras reclamando que ela “não é mais a mesma”, que “depois do casamento ela despirocou” e por aí vai.

A mesma dinâmica da crucificação da mudança aconteceu e acontece com Bianca Andrade, a famosa Boca Rosa – essa sim uma blogueira que eu acompanho, curto, dou like, assisto vídeo e tudo mais. Novamente, post sim, post não, uma chuva de comentários maliciosos do tipo “nossa, essa aí não é mais a mesma”, “muito forçada, não sei quem ainda acredita em algo que ela faz”, e etc, etc, etc.

Daí que fiquei alguns bons minutos ou horas, talvez, pensando como o ser humano estranha mesmo a mudança, né? Rechaça o que é diferente, pune quem questiona, quem se questiona e quem experimenta mudar. É como se essa pessoa tentasse, a todo custo, manter a vida sobre o controle daquilo que já se sabe como funciona. E aí, não é de se estranhar que, quem se apega tanto a essa controle do “eu já sei que aqui funciona assim, então é melhor manter tudo desse jeito“, tenha tanto medo, reaja com tanto pavor e ira, até, diante de quem ouse mudar.

Mas veja só, que mania é essa de se achar tão importante a ponto de sua opinião sobre a mudança do outro ter que, necessariamente, ser levada em consideração? Que vaidade é essa que nós temos de nos acharmos traídos, ofendidos de forma pessoal, quando alguém ao nosso redor decide mudar e agir de uma forma diferente do que agiríamos, estivéssemos nós no lugar dessa pessoa?

Não dá para esperar que sejamos iguais o tempo todo. Não dá para esperar que, passando por tantos acontecimentos, ora felizes, ora traumáticos e difíceis, a gente saia dali um produto igualzinho ao que entrou. Tampouco dá para esperar que as pessoas se satisfaçam sempre com as mesmas coisas, que não desejem ter ou ser mais, que não sonhem em experimentar o diferente, e ai fica meio retórico perguntar, mas vamos lá: quem é que vai colher diferentes resultados agindo da mesma maneira?

Mudar faz parte. E até estranhar a mudança de uma pessoa também faz. Mas crucificar, se achar no direito de julgar, opinar e tacar pedras em quem muda, aí já é demais. A quem pensar em mudar, meu desejo de que bons resultados sejam colhidos, que todo o esforço valha à pena, e que, não tendo atingido o objetivo desejado, que algo de bom e importante seja aprendido durante o percurso. A quem está do outro lado da mudança me contato com alguém que você julga “não ser mais o mesmo”, meu desejo que você consiga preencher sua vida de coisas mais importantes, que em vez de gastar tanta energia apontando o dedo para os outros, você descubra em você situações que valham à pena gastar a sua própria energia. Que você exercite o direito de não gostar e se afastar de alguém diante de alguma mudança, mas que não se ache no direito de querer, a todo custo, convencer o outro de o que ele quer fazer da vida dele está errado.

Como já dizia minha mãezinha, “deixa a vida de quelé”.

a-há! olha nóissss de volta aqui no armário de madame! sim, temos sombrios de sumiço por aqui, mas estou de volta. Foi bem legal ter me dedicado ao youtube, conseguido os 20 mil inscritos, mãaaas, nunca antes na história desse blog esse nosso cantinho ficou tão abandonado, e isso não é legal, né?

Então vamos voltar com os diários e os demais posts, que mesmo em tempo de poucos leitores por aqui, esse é um espaço que eu quero manter.

<3

A partir da próxima semana eu volto a fotografar meus looks do dia a dia e posto aqui junto com o diário, ok?

 

 

 

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