post da Martinha Fonseca

Você já se elogiou hoje?

não custa nada e faz um bem danado

06 fev 17

Tá, eu estou escrevendo esse post às 8h da manhã e talvez, diante daquela já conhecida correria de início de semana, você não tenha parado nem para fazer xixi que dirá para se olhar no espelho e se elogiar. Mas se você pensar nos últimos dias que passaram, quantas vezes você se olhou no espelho e disse “é, tô linda hoje”, ” arrasei no look”, “aquela máscara de hidratação funcionou, meu cabelo tá mara” ou saiu do banho e se olhou no espelho e foi generosa com você mesma? Não focou nas partes que eventualmente te incomodam, mas na história que seu corpo conta, nas conquistas que você já fez com ele, nas belezas que ele têm?

Não, não esse papo sobre autoestima e autoaceitação não é balela. Não, não é mentira que todo mundo é bonito de alguma forma. A questão é que o mundo há anos reforça a existência de um padrão de beleza específico e que ele deve ser atendido por todas as mulheres, não importa se elas são mais baixas, mais altas, mais largas, mais estreitas do que esse tal padrão. Quando a nossa geração colocou os pezinhos nessas terra, a coisa toda já funcionava desse jeito e a gente foi condicionada a pensar assim: beleza é sinônimo de magreza, e a coisa toda é tão enraizada que a gente não percebe o tanto que é impossível chegar nessa perfeição.

Quer dizer, a gente percebe sim, porque a gente vê que, apesar de dietas loucas e sacrifícios insanos, a gente nunca chega lá, no tal corpo perfeito. Sempre tem algo para ajustar, né? A pressão é tão grande que a gente se condiciona a pensar que com um pouco mais de força de vontade a gente consegue – mesmo que a tendência do nosso corpo seja acumular gordura no quadril, mesmo que o nosso peito seja mais farto, mesmo que você não tenha uma cintura desenhada como se deseja. Esse pensamento é tão doido, tão intenso e nos faz tão mal, que diante de tantos esforços para chegar onde quase ninguém chega, a gente começa a culpar a nossa genética, a pensar nela como prejudicada, como ruim, como danificada. E aí tudo na nossa vida gira em torno de “meu corpo não é bonito”, carregando ladeira abaixo nossa autoestima e tudo que ela influencia.

De repente, você não aproveita uma festa porque o vestido 36 não cabia em você – afinal, você ignora o fato de que seu corpo fica mais bonito numa peça 38, porque para você 38 é tamanho de gorda. De repente, uma ida à praia vira um estresse porque seu corpo não é firme o suficiente, não é chapado o suficiente e você sente que todas as pessoas – você incluída – te julgam como alguém menor só por conta disso. De repente, você mal respira durante toda uma noite de tanto que se preocupa em murchar a barriga. De repente, você foge de espelhos porque nenhum ângulo te favorece. De repente, sua vida é toda um sofrimento só porque você não aceita quem você é.

Tá vendo que não dá para viver assim?

Tá vendo que não custa nada se elogiar de vez em quando? Que não custa exercitar um novo pensamento de que sim, você é bonita do seu jeito? Que sim, você pode até querer melhorar alguma coisa aqui ou acola, comer mais saudável e emagrecer, mas que isso nada tem a ver com perfeição?

Tá vendo que seguir essa rotina doida de auto depreciação não está valendo à pena?

Seja generosa com você, seja bondosa, seja sua melhor amiga. Aquela que até vê “defeitos” em si mesma, mas que não se condena a isso, não se resume a isso. Acorde todos os dias e durma todos os dias se perguntando: eu já me elogiei hoje?

 

ps: essa semana acabei não fotografando muitos looks, e o foco ficou todo nos dias que passei com minhas amigas no Rio de janeiro. Mas isso, aguardem, que virá contado timtim por timtim no vlog que entra amanhã! tá?

Categoria: Diário de Madame
post da Martinha Fonseca

Diário de Madame: Don´t accept crapp things

Dr. Yang sabe das coisas

30 jan 17

Eu tinha pensado em outro assunto pro Diário de Madame de hoje. Mas aí, logo cedo, vi uma matéria no BuzzFeed sobre frases incríveis de Grey´s Anatomy e aí tudo mudou na minha cabeça. Dra. Yang é minha personagem favorita da série (Freud deve explicar isso..) e a bycha sabe das coisas, viu?

Vem cá que eu te conto o porquê:

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Em tradução livre, essa frase aí em cima e que me chamou atenção seria assim em português: “se você quer que merdas parem de acontecer com você, então pare de aceitar merda e exija mais”. É ou não é a médica mais sincerona que você respeita?

Porque veja, certas coisas na vida costumam ser bem simples, a gente é que tende a complicar o descomplicado e achar dúvida onde não deveria ter, significado obscuro no que está dito alto e claro, mensagens subliminares em um texto explícito. Tá achando que está recebendo pouca atenção, pouco respeito, pouca consideração ou algo nessa linha? Então exija mais. Simples assim.

O problema é que as pessoas, no que tangem os relacionamentos, têm medo de se mostrar verdadeiras, de mostrar fragilidades e de demonstrar insatisfações. Não pode exigir demais pra não assustar, não pode dizer que não gostou pra ele não ficar contrariado e desistir de sair com você, não pode ligar demais pra ele não achar que você gosta mais dele do que ele de você.

Mas já parou pra pensar que pode ser isso mesmo? Que você gosta mais do que ele, que se esforça mais do que ele, que deseja tão mais do que ele a ponto de aceitar qualquer migalha que ele te ofereça? Nesse ponto, parece, que migalhas são melhor do que nada. Mas será que são mesmo? Porque no fundo, no fundo, você não gosta de receber migalhas, você sonha com algo melhor, com um amor verdadeiro e tranquilo, sem jogo, sem esconde-esconde, sem necessidade de fingir não ver o que está sendo mostrado.

Como diria Dra. Yang, stopp accepting crapp.

Você não é terapeuta de homem problemático.
Você não é saco de pancada de gente insegura.
Você não é mãe de gente crescidinha e maior de idade.
Você não é fiscal de bom comportamento de ninguém.
Você não é louca, nem exagerada.
Você não é infantil por exigir mais e não se contentar com pouco.
Você não é uma máquina de leitura de mensagens subliminares.
Você não é mãe diná para ficar adivinhando pensamento de gente que não “sabe” se expressar.

Then stop accepting crapp and start demanding more. Certo, Dra Yang?

Page cardio!

Chuva de look do dia para ilustrar a segunda parte do diário de madame! Adoro reservar os meus looks do dia a dia para compartlihar com vocês aqui! Todo o resto eu ando publicando de imediato no stories ou instagram, mas os looks…ah, os looks, eles merecem o prestígio de aparecer aqui, não é?

postdiario

1. Blusa e Colete Zara, Calça Forever XXI, Bolsa Prada, Sapato Melissa;
2. Blusa Zara, saia não lembro, colar Pandora, sandália Schutz;
3. Tshirt L´Deluxe Store, Blazer Dafiti, Calça 284, Bolsa Prada, Sapato Schutz;
4. Vestido Iorane (coleção inverno 2017 para @mesckla);
5. Vestido Iorane (coleção inverno 2017 para @mesckla);
6. Blusa Sarttores, Calça Zara, Bolsa Schutz e Sapato não lembro e ele ficou no carro, hahaha!

Boa semana para gente, madames!!!

 

 

Categoria: Diário de Madame
post da Martinha Fonseca

Diário de Madame: uma carta pra mim

dos 10 para os 28 anos

23 jan 17

Eu sei que você sente minha falta; que você se apegou à minha rotina, às coisas que fazem sentido pra mim e como todo esse mundo em que estou te moldou de alguma forma para você ser quem você é ou gostaria de ser. Eu sei que você gostava de ter meus hábitos, que gostava do meu jeito de pensar, de agir, de planejar a vida e eu sei que você sente falta por tudo isso ter sido substituído de alguma forma. Mas não se sinta mal, Martinha, a vida é assim mesmo.

Tenha um pouco mais de paciência e respire mais devagar: você vai ver que ainda existe muito de mim, a martinha de 10 anos, em você, a Martinha de 28. Eu sei que eu enchia uma casa com minha falação e que hoje existe um silêncio auto-protetor e ao mesmo tempo ameaçador que te habita. Mas acredite no seu coração, ainda existe muito de mim em você.

A vida tem te exigido muito ao derrubar as suas muralhas de defesa e seus castelos de areia sem pedir licença. Não era mesmo de se esperar que você fosse olhar tudo isso e, desde sempre, achar que está tudo certo. Mas a vida adulta é um pouco assim, sabe? De um lado um luto por as coisas não terem mais um lugar certo para estar e uma duração certa para existir; e, do outro lado, é um florescer de novas forças, novos horizontes e novas habilidades que vão te dar orgulho. É um medo de não ser capaz que sufoca, e um respirar aliviado de “ufa, deu certo”. Acredite.

A vida adulta é um tirar de pessoas que cumpriram sua missão e foram embora, e cuja ausência é sentida, mas é um existir de pessoas difíceis e cruéis com quem você terá que aprender a lidar. Eu sei, você não queria ter que lidar com a crueldade das pessoas, principalmente daquelas a quem você dedicou seus sonhos. Mas olha, a vida adulta é assim mesmo; longe de ser preto no branco, e mais um misto de 300 tons de cinzas, pretos, vermelhos, amarelos que te ensinam novas formas de ver o mundo, resignificando o que antes era importante e que agora não necessariamente precisa ser. Por mais que te cause dor, a vida é assim.

Olhando daqui eu jamais imaginaria que você seria capaz de se defender como tem se defendido – embora, se me permite dizer, eu acho que você consegue manter essa defesa ao mesmo tempo que dedica a quem merece a sua…ou melhor, a nossa tão conhecida doçura e leveza.

Não se ressinta de mim, não me culpe por ter sido feliz no que hoje parece ser uma ideia tão frágil e pouco precisa da realidade. Era o que eu sabia fazer, eram as cartas que eu tinha na mão para jogar, era a proteção que me foi dada com a melhor das intenções. Não me culpe. E também não se culpe: foi bom enquanto durou o seu conto de fadas, mas a minha história ter se encerrado não significa que a sua não esteja sendo escrita de uma maneira linda também. As coisas mudam, Martinha, e há de haver em você uma força para se adaptar novamente a elas.

Perder pessoas, quem diria, parece menos sofrido do que perder ideias, sonhos e parâmetros. Ressignificar uma ausência física, quem diria, é menos doloroso do que abrir mão de tudo que foi te ensinado e que agora, como um passe de mágica, vira pó. Tão doído, não é?

Mas olha, não se desespere. Deixa eu te consolar: ainda existe muito de mim em você, sabia? Ainda existe um riso frouxo, um presepada sem motivo, uma risada boba que insiste em sair. Existe uma alegria genuína, uma vontade linda de agradar, uma força enorme de querer ser você. E se eu pudesse te abraçar agora, bem forte, e te dizer algo no pé do ouvido, só para você ouvir, eu diria: eu ainda vivo em você. De um jeito menos óbvio, menos exposto, menos bobo e ingênuo, e até de um jeito machucado, mas eu ainda estou aí. Não esquece disso, tá?

As coisas mudam, Martinha, e viver está em saber se adaptar a essa mudanças. Sem esquecer de mim, mas sem viver achando que hoje, 18 anos e muitas lágrias depois, você ainda será igual. Não ser igual, Martinha, não quer dizer ser menor. Lembre-se disso.

e para ilustrar o nosso diário, os looks vida real da semana:

diariopost

– top AudioVisual, pantacourt Zara, Bomber C&A, Flatform Melissa
– Blusa Boah, Calça Farm (Lollita Lollita), Flatform Melissa
– Regata Richards, calça 284, sapato e bolsa Schutz, Colete AudioVisual.

 

beijos!

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