post da Martinha Fonseca

Resenha de livro: Propósito, de Sri Prem Baba

livro delícinha e fácill de ler

29 jan 18

Esse ano eu estabeleci como meta pessoal ler 16 livros – uma meta modesta, eu sei, mas ainda assim uma meta. O primeiro livro a ser lido e que deu start para as leituras do ano foi Propósito, de Sri Prem Baba. Eu cheguei atrasada no hype, eu imagino, porque bastou eu postar esse livro no stories/instagram (@armariodemadame) que choveram comentários de “livro maravilhoso”, “já li e amei”, “você vai amar“. Inclusive, desde então, só vejo “Propósito” aparecendo nos stories e fotos por aí. Parece mesmo um livro queridinho.

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Em apenas 156 páginas, o líder humanitário e mestre espiritual Sri Prem Baba discorre, em um texto leve e simples (porém não simplório) o que é o propósito de vida que cada pessoa carrega, como encontrá-lo (porque obviamente cada pessoa tem a sua própria missão de vida), porquê encontrá-lo e que coisas boas podem vir desse encontro.

E sabe o que eu achei mais interessante disso tudo? Ele se equilibra bem entre auto-ajuda barata e um livro com conteúdo pesado ou denso demais. Não é que eu tenha lido o livro e de imediato tenha encontrado meu propósito, me sentido mudada, inspirada em ser melhor e que todos os nós e aflições da minha mente e coração tenha desaparecido. – ele não é uma pílula mágica e o próprio autor faz questão de ratificar que existe um processo pelo qual devemos passar para encontrar o nosso próposito. De verdade, para mim, ler esse livro me trouxe algo mais sutil, mas talvez ainda mais importante: eu me senti motivada a começar.

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Sabe aquela crise existencial que nos paralisa? Foi bom sentir essa aflição sendo acolhida. Você entende que não é só com você que ela acontece; pelo contrário, Sri Prem Baba explica porquê cada vez mais pessoas conquistam coisas, metas e objetivos e ainda assim se sentem infelizes e vazias. Existe, láaa na infância, um descolamento do seu próposito de vida, uma sequência de acontecimentos que te afastam desse autoconhecimento, que te afastam de você mesma, e que te trazem inseguranças, medo, compulsões e sofrimento.

E, repito, não é que ao longo de algumas páginas ele te ensine um passo a passo milagroso para acabar com tudo isso. Ele “apenas” de explica as relações de causa e efeito que costumam destravar esse tipo de confusão na nossas mente e vida, e quais os caminhos que existem para retomar esse encontro da nossa vida com o nosso real propósito.

O mais legal? A leitura flui bem e ainda tem, ao final do livro, 7 exercícios que você pode fazer para colocar alguns conceitos do livro em prática. Bem didático, bem simples e bem interessante.

Uma leitura que me abriu os olhos, me inspirou e me motivou. Longe de ser uma pílula mágica, mas também passa longe de ser uma leitura qualquer. Recomendo muito!

 

Categoria: Livros
post da Martinha Fonseca

Seja gentil. De verdade

uma lição extraordinária

22 jan 18

Fazia tempo que não ia ao cinema: dan e eu não conseguimos nem lembrar o último filme que assistimos (sem contar apple tv ou netflix, claro). Aproveitei a oportunidade, então, para assistir Extraordinário antes que ele saísse de cartaz. Valeu cada minuto e a mensagem do filme é ainda mais maravilhosa do que eu pensava.

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Para quem andou frequentando outro universo e não sabe do que se trata o filme, aqui vai a sinopse para que você possa se situar antes de continuarmos o nosso papo:

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Toda a narrativa do filme é bem suave, leve, bonita, sem ser piegas. Realmente adorei o filme e cada minutinho dele. Só que aí o filme foi acabando e quando eu cheguei a achar que “até que tinha chorado pouco” (algo inédito para alguém que já chorava com o trailer), veio a cena final do filme e me arrebatou de vez. Solucei feito uma criança ao ver/ler/ouvir uma frase às vezes tão dita, tão citada, mas tão pouco praticada:

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“toda pessoa que você encontra está lutando uma batalha interna. Seja gentil. Sempre”.

E foi aí que veio o soco no estômago: quantas de nós, ao lermos essa frase, nos sentimos tocados? Quantas de nós, ao lermos essa frase, decidimos ser, de imediato, mais empático com as pessoas a nossa volta? E quantas de nós, depois de 5 minutos de ter lido essa frase, ainda nos lembramos da promessa de evolução humana que fizemos a nós mesmas?

Escrevi hoje mais cedo no instagram (segue aí, @armariodemadame), justamente isso. Um novo hábito precisa ser construído todos os dias um pouquinho. Às vezes errando, se esquecendo, mas nunca se esquivando de tentar – e conseguir. Em relação àquela pessoa de convívio diário com quem você não concorda muito, mas diante de quem, apesar das divergências, você não precisa ser cruel. Em relação àquela menina que aparece pela primeira vez na sua aula de pilates e você já não vai com a cara – que tal julgar menos? Em relação à blogueira/youtuber/influencer que você gostava tanto de seguir e hoje não gosta mais, por que não apertar o unfollow em vez de disseminar crueldades escondidas como “sinceridades” nos comentários?

Cada um pode ser mais gentil em diferentes esferas do seu dia. E aí, caso você queira de verdade melhorar quem você é e como você vive, não basta apenas chorar no filme, ou postar frases bonitinhas quando você se sente injustiçada pelo mundo ou pelas pessoas. É preciso praticar você mesma, de coração, essa nova atitude – mesmo sabendo que nada se muda assim, de uma hora para outra; ao mesmo tempo que, pode passar 10 anos, e tudo continuará igual se você não começar a agir/pensar/falar diferente.

Seja essa mudança agora. Todos os dias. Sempre que puder.

Seja gentil.

 

ps: por pura implicância do destino, o blog ficou fora do ar a semana que passou todinha. por isso, ficaram dois textinhos do “diário de madame” colados, um seguido do outro. mas pode deixar que já já aparece outros conteúdos por aqui, com resenhas de produtos, livros, looks, etc!

Categoria: Diário de Madame, Livros
post da Martinha Fonseca

Em busca de abrigo de Jojo Moyes

minha primeira leitura do ano

27 jan 16

Aposto que esse post estava sendo aguardado com ansiedade!! Quem já leu algum livro de Jojo Moyes fica ansiosa pelo próximo, Não tem para onde correr. A autora britânica é mestre em escrever histórias envolventes, com personagens fortes e diálogos incríveis. Tive a minha experiência de estreia com Um mais Um, e agora, para a primeira leitura do ano me joguei, ao longo das minhas férias de início de janeiro, na leitura de Em Busca de Abrigo.

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“A nova edição do romance de estreia da autora vencedora do prêmio RNA com A casa das marés. Na noite da Coroação da Rainha Elizabeth II, em 1953, a comunidade de expatriados de Hong Kong se reúne para celebrar o evento com uma festa. Enquanto os convidados tentam ouvir a cerimônia em um rádio antigo, Joy, uma jovem de 21 anos, se apaixona. Menos de vinte e quatro horas depois da festa, ela já está prometida em noivado ao rapaz, mas só tornará a se encontrar com o noivo um ano depois. Em 1980, um ato de rebeldia faz Kate, aos 18 anos, fugir do Condado de Wexford, na Irlanda, com sua filha ilegítima. Quinze anos mais tarde, Sabine deixa Hackney, o elegante bairro onde mora, em Londres, para visitar os avós que jamais conheceu e descobre que Wexford parece ter parado no tempo. Quando Sabine, sua mãe e sua avó voltam a se encontrar, um segredo de família cuidadosamente guardado é descoberto, bem como algumas verdades importantíssimas: o conflito entre o amor e o dever, as escolhas que as mulheres são obrigadas a fazer e o relacionamento entre mães e filhas”

Coloquei aí em cima um resuminho da história para quem ainda não conhece o livro possa se situar e ir acompanhando o post.

Confesso, logo de cara, que Em Busca de Abrigo não foi um livro de leitura frenética para mim. A história é interessante, o conflito entre as personagens de três gerações da família parece capaz de acontecer em qualquer família, mas algo que é apontado como trunfo no livro me incomodou bastante. A narrativa é sempre narrada em terceira pessoa, mas vai alternando, a cada capítulo, o ponto de vista de cada uma: assim, em um capítulo você está acompanhando os acontecimentos sob o ponto de vista de Sabine, a neta; e no outro, você é transportada a outro período da vida de Kate, a mãe, ou ainda de Joy, a avó. E isso cortou um pouco meu barato: quando eu ia me empolgando, me afeiçoando à personagem, seus conflitos, suas motivações e sua história, PAM!, acaba o capítulo e um novo ponto de partida é introduzido.É claro que ao decorrer da história toda essa trama de pequenos acontecimentos da vida de cada personagem vai fazer sentido e vão se mostrando como partes de uma história só. Mas fiquei confusa.

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Por outro lado, Jojo Moyes parece escrever uma história cheia de generosidade, ao mostrar personagens complexos, com coisas boas e ruins, atitudes boas e outras nem tanto. Gosto de histórias que são construídas com personagens reais, e isso me motivou durante alguns períodos de narrativa mais lenta ao longo do livro.

Outro ponto positivo são os personagens secundários. Adorei todos. São interessantes, e tem histórias bacanas também, fazendo um bom pano de fundo para toda a história acontecer.

Para quem vai se jogar na leitura, aviso que as últimas 150 páginas do livro são as melhores e vale a pena chegar até elas. O final me agradou, embora tenha sentido falta de diálogos mais avassaladores.

De todo modo, ao meu ver, para quem gosta de uma leitura leve e prazerosa, Em Busca de Abrigo atende muito bem – apesar de não ser, como eu disse, um livro de leitura frenética. Quem sabe, foi bom ter sido assim: combinou com o ritmo lento, tranquilo e leve do início do ano, quando estava de férias.

Jojo segue sendo uma autora incrível para mim, e já estou empolgada para mais uma aventura com ela.

Categoria: Livros