post da Martinha Fonseca

Alguém para conversar

#DiárioDeMadame

28 ago 17

Eu já perdi as contas de quantas vezes a gente deita na cama apenas para conversar. Um carinho nas costas, um papo sobre o futuro, ou então sobre uma notícia que saiu no jornal. Um pouco mais de carinho nas costas (você adora, né?) e falamos de nós, depois falamos da vida, analisando situações alheias… sem pressa, sem agonia, só pelo prazer de conversar.

Há uma paz deliciosa em ter te encontrado, sabia? Porque sim, existe amor, existem duas vidas sendo planejadas e vividas juntas, mas existe essa vontade imensa de compartilhar pensamentos e isso me encanta em você, e na gente.

Entramos no carro e o papo é tão bom que você pede – e eu amo quando isso acontece – para fazer o outro retorno, mais pra frente, só para gente conversar um pouco mais. Quando a gente se conheceu, desde o início, era como se existisse uma conexão tão grande que falar “eu só me abro sobre isso com você” que momentos assim não nos pareciam clichês vazios; para gente, a conversa sempre teve significado e sempre teve abrigo no ouvir do outro. Sempre teve e sempre terá.

Eu não posso te prometer o mundo (embora quisesse), nem posso dizer que na nossa vida juntos teremos sempre alegrias – já estamos bem grandinhos para não romantizar tanto assim a vida, né? Mas eu posso, de coração, te prometer conversar, te ouvir e me fazer ouvida, trocar ideias, discutir pontos de vista; posso te prometer mais a mais pedaços de noite com conversas preenchendo o quarto ou então retornos desnecessariamente e deliciosamente mais longos na volta para casa. Posso te dar o que eu me melhor: o meu papo, a minha risada, a minha boa vontade de te entender, meus minutos, horas e dias para conversar com você.

Porque quando a gente encontra nessa vida alguém com quem conversar, mas conversar de verdade mesmo..ah, aí sim viver vale à pena.

Te amo, dango.

 

 

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A arte de esperar

21 ago 17

Esperar. Olhar o relógio girar, ver o dia passar e continuar a esperar. Esperar, esperar. E se ocupar de sonhar enquanto a espera não acaba; sonhar acordada e sonhar dormindo também. E dirigir enquanto esperar, trabalhar enquanto esperar, viver enquanto espera.

É nessas horas que a gente vê o tanto que nossa coração, nossa mente e nosso corpo por completo desejam uma coisa só. Tudo passa a ser passatempo enquanto a espera não acaba, e ainda que se deseje a cada instante, minuto e segundo que essa espera acabe logo, há também algo de delicioso em esperar. Porque abre espaço pro sonho, pro desejo, pro sorriso bobo que aparece por se imaginar as cenas do futuro tão próximo e ainda tão distante. Na espera há espaço para um arrepio de desejo, para uma respiração que perde o compasso de tão intensa e profunda. E tá, tem um quê de medo nisso também, que tanto tempo esperando acaba te permitindo pensar: “e se não acontecer?”.

Mas aí a respiração profunda e descompassada aparece de novo, e de um jeito que te faz bem, porque o medo logo vai embora e você pensa: “vai acontecer, sim”. E com essa certeza tão sólida e ao mesmo tempo tão incerta (mas quem liga) voltam os sonhos, as cores, as formas e reformas que virão ao final da espera.

Esperar é bom quando se tem certeza que a escolha foi certeira, que o resultado será bom, que será alívio e alegria junto, que será descoberta e desafio. E é pouco usual ter essa certeza, mas sabe quando se tem?

Pois é. Nesses casos, tão raros, esperar não é o melhor dos mundos, mas vira uma arte para quem sabe que o próximo capítulo virá, e virá cheio de amor.

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Diário de Madame #64

medo sim, coragem também

07 ago 17

Tem vezes que faz sentido mesmo ter medo. Já foram tantas as feridas abertas, as palavras que machucaram, as ações que feriram…que dá medo mesmo de se apegar a uma nova ideia, um novo projeto, uma nova perspectiva de mudança que indica que – ufa! – as coisas finalmente vão caminhar.

Mesmo sendo uma reação compreensível, e até mesmo esperada, no entanto, não dá para ficar só no medo, sabe? Tem aquela famosa frase que roda os instagram´s por aí: “vai! e se der medo, vai com medo mesmo“. E é curioso que, embora eu tenha pavor a auto ajuda barata, de tempos em tempos, é a esse tipo de frase com aparente conteúdo vazio e usado à exaustão sem muito critério que eu recorro. Tem vezes que até elas fazem sentido.

Porque, para além do medo normal que a gente costuma sentir em certas ocasiões da vida, tem um certo tipo de medo que a gente respeita mais: aquele que veio de um trauma mesmo, de uma situação que se repete e sempre machuca, que finca bandeira nas profundezas de quem você é, e fica ali sempre latente, à espera de acontecer tudo de novo, trazendo aquela dor que você já conhece tanto…

Mas sabe o que é, madame, a vida não pára, e é preciso ir além do medo, dos traumas, da paralisia de temer que algo que você tanto quer não aconteça, Porque se ao mesmo tempo faz sentido ter medo, faz sentido também você fazer sua parte para sair da inércia e conquistar algo que você deseja.

É como se, se a gente quisesse, pudesse separar a vida em duas gavetinhas: nessa gaveta daqui eu assumo que dá medo mesmo e que tem motivo para dar, e por isso mesmo é bom ficar atenta, segurar a expectativas, respirar fundo e esperar tudo se concretizar antes de comemorar. Ao mesmo tempo, mas separadamente, você precisa se lembrar de uma outra gavetinha mental, onde você pode depositar seus pensamentos positivos e, mais importante ainda, sua ações para que, ativamente, você se sinta parte do processo, se sinta no comando da sua vida e sinta que, de um jeito ou de outro, o que você tanto deseja um dia vai acontecer. E quando acontecer, você saberá que você fez por onde, você contribuiu, você se esforçou, você fez sua parte.

<3

 

 

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