post da Martinha Fonseca

Diário de Madame: é o que tem pra hoje

mais um textinho da alma

20 fev 17

 

Como disse minha psicóloga (essa pessoa que conheço tão pouco mas que já considero pacas), eu pareço estar precisando de um empurrãozinho para sair da fase das queixas e me transferir para uma fase de demandas. Preciso parar de apenas identificar o problema, saber que algo me incomoda, que me fere, que me causa algum tipo de desconforto ou dor, e enfim caminhar adiante no sentido de saber o que eu quero fazer em relação a isso. O que faz perfeito sentido, vale dizer, e me deixa com uma pulga atrás da orelha como às vezes a gente precisa de uma pessoa externa para nos mostrar o óbvio. De todo modo, isso é assunto para outro Diário; por enquanto, vamos nos ater ao assunto que estava planejado em torno da frase ” é o que temos pra hoje”.

Seguinte:

Uma das coisas que mais me incomoda em relação a mim mesma hoje em dia é que eu me vejo, por vezes, como uma vitrola arranhada, reclamando das mesmas coisas, reagindo da mesma forma e com um quê de amargura gerada por tanta repetição não seguida por uma única ação diferente. Há um emaranhado sentimental onde me encontro e que gera em mim uma puta ansiedade por problemas que não são meus. E eu luto contra mim mesma e contra minha bendita insegurança para colocar na cabeça que não há egoísmo, mas senso de auto-preservação quando a gente se propõe se distanciar daquilo que não é nosso. A ação não é minha, logo a reação também não pode ser.

E é isso que temos para hoje. Talvez não seja ainda a atitude desejável de realmente desistir de uma situação da qual não tenho controle, de desapegar e de fato não me deixar atingir por algo, mas é o que temos para hoje. Entende  o que quero dizer? É meio como pensar “pronto, foi isso mesmo que aconteceu, lide com isso ou apenas ignore isso”. Sem respirações fundas, sem desejos do que poderia ter sido mas não foi, do que seria o certo e o errado, o esperado, o normal. Ando repetindo um novo mantra (vocês sabem que eu gosto de me propor esse tipo de dinâmica), e é ele que dá nome a esse post: “é o que temos pra hoje”

Porque os olhos da minha própria alma, confesso, se reviram quando eu começo a reclamar, a ficar de mimimi, a me assustar com a realidade que eu insisto em chamar de nova mas que, é…veja bem…já não é tão nova assim. Aceita, menina. É que você tem para hoje.

E talvez, depois de tanto exercitar o auto controle, quem sabe, esse novo pensamento vire o pensamento habitual e automático. Quem sabe, com o tempo vai ficando mais fácil. Quem sabe vai ficando natural. E quem sabe eu vou ficando mais leve, mais perto do que eu desejo ser, mais orgulhosa de quem eu sou, menos medrosa do que vem pela frente, e, fnalmente, quem sabe eu me sinta mais feliz. Quem sabe?

Essa pergunta ainda segue sem resposta. Mas quer saber? É o que temos pra hoje.

 

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Oi madames!!

Demorei de aparecer aqui hoje, não foi? É que a internet daqui de casa ficou off amanhã toda!! Mas graças a nossa senhora das blogueiras já está tudo funcionando normal e finalmente pude colocar o nosso amado Diário de Madame no ar. Eu ando numa fase meio emburrada comigo mesma, como vocês podem ver pelos textos mais recentes. Mas é mais ou menos o que falei aí nesse texto: um momento de me exigir um pouco mais, porque do jeito que está não dá para ficar, sabe? Espero que estejam acompanhando e curtindo minhas reflexões de algum jeito, já já tudo melhora e eu entro numa outra fase paz e amor. kkkk de todo modo, se tiverem sugestões de assuntos pro diário de madame, que tal me contarem nos comentários?? vou adorar!!

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E agora vamos aos looks da semana? Eu estou adorando fotografar minhas roupas do dia a dia e compartilhar com vocês! <3

1 – blusa frufru, saia zara, mule schutz , blusa militar Forever XXI, bolsa Santa Lolla e colar SD;
2 – body Lança Perfume, saia Lucy in The Sky (dafiti), sandália Schutz, bolsa Capodarte
3 – cropped e calça Artsy (mesckla), maxi colete Zara, bolsa Santa Lolla
4 – quase igual ao outro look, só mudei a blusa Iódice e a sandália Melissa
5 – Blusa dafiti, saia e lenço zara, sapatilha Schutz
6 – body Di Sampaio, calça Zara, sandália Schutz

e, para finalizar esse post e abrir com pé direito nossa semaninha, essa foto delícia da parte canina da família de dan. hehehe

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Será?

minha primeira sessão de terapia

13 fev 17

Tirei uma das minhas metas de 2017 do papel, e na semana passada comecei a minha terapia. E como eu não sou marinheira de primeira viagem, já sabia que apesar de gratificante e enriquecedora, fazer terapia nunca é um processo fácil. De todo modo, fica aqui o registro de que a quantidade de “será?” que eu ouvi em 50 minutos bateu recorde.

Mas isso já está bem resolvido dentro de mim”. 

“Será?”, ela me responde, me pergunta.

Esse é um processo que eu já aceitei como funciona”.

Será?”, ela me questiona de novo.

Saí de lá com a cabeça a mil, pensamentos, questionamentos, incertezas e dúvidas sobre coisas que antes eram tão certas e absolutas. E isso só em 50 minutos. A terapia não é maravilhosa? Longe de ser um processo instantâneo, eu sei, mas é que estou apenas no início desse recomeço e já estou adorando voltar a pensar sobre mim e me conhecer a fundo, sem amarras, sem preconceitos, com um pouco de dor de ver a verdade e um pouco de alegria de saber que essa sou eu de verdade.

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Ainda há uma parte de mim, como já falei inúmeras vezes, que desejaria voltar atrás, que desejaria o passado que mostrava um futuro linear, que tinha na ignorância o abrigo da felicidade e que se sente abandonada toda vez que uma mudança brusca de processar na minha vida. Mas, ao mesmo tempo, há em mim um orgulho enorme por ter sobrevido à perda da super proteção e do filtro cor de rosa da vida.  E, mais do que isso, há um vontade corajosa em querer me reencontrar nessa nova realidade, superando medo, desfazendo estigmas, diminuindo pesos e aumentando a leveza.

Claro, dá um frio na espinha quando eu falo algo com conviccção e ela me responde com um “será?”. Mas dá também um frio na barriga em ver que, sim, estou ali, corajosa, inteira, entregue, pronta para evoluir um pouco mais. E não é para evoluir que vivemos?

 

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Você já se elogiou hoje?

não custa nada e faz um bem danado

06 fev 17

Tá, eu estou escrevendo esse post às 8h da manhã e talvez, diante daquela já conhecida correria de início de semana, você não tenha parado nem para fazer xixi que dirá para se olhar no espelho e se elogiar. Mas se você pensar nos últimos dias que passaram, quantas vezes você se olhou no espelho e disse “é, tô linda hoje”, ” arrasei no look”, “aquela máscara de hidratação funcionou, meu cabelo tá mara” ou saiu do banho e se olhou no espelho e foi generosa com você mesma? Não focou nas partes que eventualmente te incomodam, mas na história que seu corpo conta, nas conquistas que você já fez com ele, nas belezas que ele têm?

Não, não esse papo sobre autoestima e autoaceitação não é balela. Não, não é mentira que todo mundo é bonito de alguma forma. A questão é que o mundo há anos reforça a existência de um padrão de beleza específico e que ele deve ser atendido por todas as mulheres, não importa se elas são mais baixas, mais altas, mais largas, mais estreitas do que esse tal padrão. Quando a nossa geração colocou os pezinhos nessas terra, a coisa toda já funcionava desse jeito e a gente foi condicionada a pensar assim: beleza é sinônimo de magreza, e a coisa toda é tão enraizada que a gente não percebe o tanto que é impossível chegar nessa perfeição.

Quer dizer, a gente percebe sim, porque a gente vê que, apesar de dietas loucas e sacrifícios insanos, a gente nunca chega lá, no tal corpo perfeito. Sempre tem algo para ajustar, né? A pressão é tão grande que a gente se condiciona a pensar que com um pouco mais de força de vontade a gente consegue – mesmo que a tendência do nosso corpo seja acumular gordura no quadril, mesmo que o nosso peito seja mais farto, mesmo que você não tenha uma cintura desenhada como se deseja. Esse pensamento é tão doido, tão intenso e nos faz tão mal, que diante de tantos esforços para chegar onde quase ninguém chega, a gente começa a culpar a nossa genética, a pensar nela como prejudicada, como ruim, como danificada. E aí tudo na nossa vida gira em torno de “meu corpo não é bonito”, carregando ladeira abaixo nossa autoestima e tudo que ela influencia.

De repente, você não aproveita uma festa porque o vestido 36 não cabia em você – afinal, você ignora o fato de que seu corpo fica mais bonito numa peça 38, porque para você 38 é tamanho de gorda. De repente, uma ida à praia vira um estresse porque seu corpo não é firme o suficiente, não é chapado o suficiente e você sente que todas as pessoas – você incluída – te julgam como alguém menor só por conta disso. De repente, você mal respira durante toda uma noite de tanto que se preocupa em murchar a barriga. De repente, você foge de espelhos porque nenhum ângulo te favorece. De repente, sua vida é toda um sofrimento só porque você não aceita quem você é.

Tá vendo que não dá para viver assim?

Tá vendo que não custa nada se elogiar de vez em quando? Que não custa exercitar um novo pensamento de que sim, você é bonita do seu jeito? Que sim, você pode até querer melhorar alguma coisa aqui ou acola, comer mais saudável e emagrecer, mas que isso nada tem a ver com perfeição?

Tá vendo que seguir essa rotina doida de auto depreciação não está valendo à pena?

Seja generosa com você, seja bondosa, seja sua melhor amiga. Aquela que até vê “defeitos” em si mesma, mas que não se condena a isso, não se resume a isso. Acorde todos os dias e durma todos os dias se perguntando: eu já me elogiei hoje?

 

ps: essa semana acabei não fotografando muitos looks, e o foco ficou todo nos dias que passei com minhas amigas no Rio de janeiro. Mas isso, aguardem, que virá contado timtim por timtim no vlog que entra amanhã! tá?

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