post da Martinha Fonseca

Vai, aguenta mais um pouquinho

Diário de Madame

18 set 17

No final das contas, o Diário de Madame sempre foi sobre mim. Direta ou indiretamente, sempre foi sobre meu olhar sobre as coisas que acontecem comigo ou com pessoas próximas, e a forma como eu tento dar significado a tudo que ocorre. Ou transmitir algum significado. Ou os dois.

Talvez por isso tenha sido tão pesado escrever os Diários aqui para vocês – porque no geral eu gosto de falar de positividade, da luz no fim do túnel; gosto de ser um ombro amigo (para mim mesma e para vocês), dando uma força, um “vamos lá, vai dar certo”. Mas é que tem vezes que insistir cansa demais, que renovar as energias, acreditar que as coisas vão melhorar sabendo que elas não vão suga todas as suas/minhas energias.

É tão difícil desistir de tentar e aceitar as decepções da vida. É tão difícil não querer mais ajudar, não querer mais estar perto, não querer mais se vincular. É tão difícil e tão cansativo, querer se separar e ainda não poder. Ter que esperar isso ou aquilo acontecer para só então você/eu se/me libertar. É tão frustrante querer e não poder. Precisar e não poder.

E eu não queria falar exatamente sobre isso aqui – porque eu sempre reluto em falar do que é pesado, como se não precisasse dar eco ao que já está ruim, sabe? Mas na minha cabeça, na minha vida, nas minhas intenções e pensamentos, é só isso que existe agora: um medo enorme de ficar presa para sempre nessa situação que me suga as energias.

E talvez eu que esteja precisando de uma palavra positiva, um “aguenta só mais um pouquinho”, sabe? Há sim tanto para se comemorar na minha vida e ao meu redor, e ao mesmo tempo, o que está desalinhado está tão fora do esperado, que, nur!, penso só nisso.

Posso então pedir um help aqui a vocês, madames? Algué com uma palavra amiga para compartilhar?

Quem sabe assim, no caminho contrário dessa vez, daí para cá, a gente consiga começar a semana com o pé direito.

Beijos,

Martinha

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Diário de Madame

Dando poder às minhas próprias pernas

11 set 17

Coisa boa é pedir ajuda, né? Tem vezes, inclusive, que se torna algo imprescindível. Seja pedir ajuda para rever as coisas sob outra perspectiva, para escutar uma opinião, seja ser acolhida num colo amigo ou ter alguém para te escutar. É bom saber que não se está só, que existe alguém que se preocupa com você, que quer te ver melhor, superando obstáculos, crescendo na vida. É bom contar com essa ajuda. Mas tem horas que você precisa devolver às suas pernas o poder, a capacidade e a confiança de andarem sozinhas novamente – sem auxílios, sem guias, sem muletas.

Já existiram períodos na minha vida em que tudo parecida borrado, manchado, com uma nuvem escura e densa ao redor de tudo que me impedia de ver os acontecimentos com uma certa clareza ou alguma perspectiva. E nessas horas foi bom ter alguém que funcionava como se fosse meus óculos, ponderando percepções, provocando novos olhares, novas diretrizes e estimulando novas habilidades que eu nem sabia que poderia ter. Foram períodos em que eu exercitei deixar a vaidade de lado para olhar os acontecimentos – e as reações a eles – de um jeito mais real, menos idealizado, menos emocional.

Só que, assim como eu proponho nas conversas sobre moda que a gente tire do automático os nossos processos de se vestir, passe a refletir sobre novas motivações, mensagens e escolhas que a gente faz através da roupa, para então facilitar a vida sob uma nova ótica que  aos poucos fará tanto sentindo que se tornará automática novamente (só que dessa vez de um jeito mais positivo); acho que os processos de ajuda funcionam da mesma forma. Na vida, tem horas que você pensa: “epa, olha eu fazendo isso de novo sem necessidade”. Porque se a ajuda dada foi mesmo positiva, você começa, se não a mudar de fato o que te incomodava, pelo menos começa a perceber o acontecer das coisas. Já não é mais tão estranho aquele desassossego, porque você sabe de onde veio. Ainda que você não seja capaz de reagir diferente a tal fato, você já sabe o porquê de você agir assim e vai, aos poucos, se moldando a trilhar novos caminhos que desgastem menos e que possam também fazer sentido.

É um desejo intenso, depois de um período de ajuda, de conseguir mudar o que te incomoda. “Eu vou conseguir, eu vou conseguir” é tudo o que eu penso. E vou conseguir com as minhas próprias pernas, colocando em prática, eu mesma, aquilo que discuti por vezes e vezes, horas e horas a fio, com a ajuda de uma outra pessoa.

A ajuda é válida – sempre. E em outras tantas circunstância na vida pretendo recorrer à ela novamente. Mas por hora, sendo sincera, há algo em mim com desejo de voltar a me empoderar sozinha, a testar os novos aprendizados, sabe? É chegada a hora de ser corajosa e seguir em frente.

 

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Alguém para conversar

#DiárioDeMadame

28 ago 17

Eu já perdi as contas de quantas vezes a gente deita na cama apenas para conversar. Um carinho nas costas, um papo sobre o futuro, ou então sobre uma notícia que saiu no jornal. Um pouco mais de carinho nas costas (você adora, né?) e falamos de nós, depois falamos da vida, analisando situações alheias… sem pressa, sem agonia, só pelo prazer de conversar.

Há uma paz deliciosa em ter te encontrado, sabia? Porque sim, existe amor, existem duas vidas sendo planejadas e vividas juntas, mas existe essa vontade imensa de compartilhar pensamentos e isso me encanta em você, e na gente.

Entramos no carro e o papo é tão bom que você pede – e eu amo quando isso acontece – para fazer o outro retorno, mais pra frente, só para gente conversar um pouco mais. Quando a gente se conheceu, desde o início, era como se existisse uma conexão tão grande que falar “eu só me abro sobre isso com você” que momentos assim não nos pareciam clichês vazios; para gente, a conversa sempre teve significado e sempre teve abrigo no ouvir do outro. Sempre teve e sempre terá.

Eu não posso te prometer o mundo (embora quisesse), nem posso dizer que na nossa vida juntos teremos sempre alegrias – já estamos bem grandinhos para não romantizar tanto assim a vida, né? Mas eu posso, de coração, te prometer conversar, te ouvir e me fazer ouvida, trocar ideias, discutir pontos de vista; posso te prometer mais a mais pedaços de noite com conversas preenchendo o quarto ou então retornos desnecessariamente e deliciosamente mais longos na volta para casa. Posso te dar o que eu me melhor: o meu papo, a minha risada, a minha boa vontade de te entender, meus minutos, horas e dias para conversar com você.

Porque quando a gente encontra nessa vida alguém com quem conversar, mas conversar de verdade mesmo..ah, aí sim viver vale à pena.

Te amo, dango.

 

 

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