post da Martinha Fonseca

Diário de Madame

Dando poder às minhas próprias pernas

11 set 17

Coisa boa é pedir ajuda, né? Tem vezes, inclusive, que se torna algo imprescindível. Seja pedir ajuda para rever as coisas sob outra perspectiva, para escutar uma opinião, seja ser acolhida num colo amigo ou ter alguém para te escutar. É bom saber que não se está só, que existe alguém que se preocupa com você, que quer te ver melhor, superando obstáculos, crescendo na vida. É bom contar com essa ajuda. Mas tem horas que você precisa devolver às suas pernas o poder, a capacidade e a confiança de andarem sozinhas novamente – sem auxílios, sem guias, sem muletas.

Já existiram períodos na minha vida em que tudo parecida borrado, manchado, com uma nuvem escura e densa ao redor de tudo que me impedia de ver os acontecimentos com uma certa clareza ou alguma perspectiva. E nessas horas foi bom ter alguém que funcionava como se fosse meus óculos, ponderando percepções, provocando novos olhares, novas diretrizes e estimulando novas habilidades que eu nem sabia que poderia ter. Foram períodos em que eu exercitei deixar a vaidade de lado para olhar os acontecimentos – e as reações a eles – de um jeito mais real, menos idealizado, menos emocional.

Só que, assim como eu proponho nas conversas sobre moda que a gente tire do automático os nossos processos de se vestir, passe a refletir sobre novas motivações, mensagens e escolhas que a gente faz através da roupa, para então facilitar a vida sob uma nova ótica que  aos poucos fará tanto sentindo que se tornará automática novamente (só que dessa vez de um jeito mais positivo); acho que os processos de ajuda funcionam da mesma forma. Na vida, tem horas que você pensa: “epa, olha eu fazendo isso de novo sem necessidade”. Porque se a ajuda dada foi mesmo positiva, você começa, se não a mudar de fato o que te incomodava, pelo menos começa a perceber o acontecer das coisas. Já não é mais tão estranho aquele desassossego, porque você sabe de onde veio. Ainda que você não seja capaz de reagir diferente a tal fato, você já sabe o porquê de você agir assim e vai, aos poucos, se moldando a trilhar novos caminhos que desgastem menos e que possam também fazer sentido.

É um desejo intenso, depois de um período de ajuda, de conseguir mudar o que te incomoda. “Eu vou conseguir, eu vou conseguir” é tudo o que eu penso. E vou conseguir com as minhas próprias pernas, colocando em prática, eu mesma, aquilo que discuti por vezes e vezes, horas e horas a fio, com a ajuda de uma outra pessoa.

A ajuda é válida – sempre. E em outras tantas circunstância na vida pretendo recorrer à ela novamente. Mas por hora, sendo sincera, há algo em mim com desejo de voltar a me empoderar sozinha, a testar os novos aprendizados, sabe? É chegada a hora de ser corajosa e seguir em frente.

 

Categoria: Diário de Madame
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2 comentários
  1. Vivia Dias

    Martinha segunda sem diário de madame não é segunda rsrs. Ando sentindo falta sua aqui no blog. Te sigo no insta mas como vc mesmo diz aqui é nosso canto. Então quero te incentivar não suma por favor…. Rsrs

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  2. Bárbara/Binha

    Que texto lindo Martinha!! Obrigada por me encorajar a seguir em frente com minhas próprias pernas!!! Boa semana

    Responder
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