post da Martinha Fonseca

A arte de esperar

21 ago 17

Esperar. Olhar o relógio girar, ver o dia passar e continuar a esperar. Esperar, esperar. E se ocupar de sonhar enquanto a espera não acaba; sonhar acordada e sonhar dormindo também. E dirigir enquanto esperar, trabalhar enquanto esperar, viver enquanto espera.

É nessas horas que a gente vê o tanto que nossa coração, nossa mente e nosso corpo por completo desejam uma coisa só. Tudo passa a ser passatempo enquanto a espera não acaba, e ainda que se deseje a cada instante, minuto e segundo que essa espera acabe logo, há também algo de delicioso em esperar. Porque abre espaço pro sonho, pro desejo, pro sorriso bobo que aparece por se imaginar as cenas do futuro tão próximo e ainda tão distante. Na espera há espaço para um arrepio de desejo, para uma respiração que perde o compasso de tão intensa e profunda. E tá, tem um quê de medo nisso também, que tanto tempo esperando acaba te permitindo pensar: “e se não acontecer?”.

Mas aí a respiração profunda e descompassada aparece de novo, e de um jeito que te faz bem, porque o medo logo vai embora e você pensa: “vai acontecer, sim”. E com essa certeza tão sólida e ao mesmo tempo tão incerta (mas quem liga) voltam os sonhos, as cores, as formas e reformas que virão ao final da espera.

Esperar é bom quando se tem certeza que a escolha foi certeira, que o resultado será bom, que será alívio e alegria junto, que será descoberta e desafio. E é pouco usual ter essa certeza, mas sabe quando se tem?

Pois é. Nesses casos, tão raros, esperar não é o melhor dos mundos, mas vira uma arte para quem sabe que o próximo capítulo virá, e virá cheio de amor.

Categoria: Diário de Madame