post da Martinha Fonseca

O binóculo invertido

#DiárioDeMadame

17 abr 17

A gente tende a querer ver as coisas bem de pertinho toda vez que estamos diante de algo que não compreendemos muito bem. Queremos ir mais a fundo, entender a origem do problema, de onde saiu aquele padrão de comportamento, onde foi plantada a sementinha daquele sentimento ruim que te paralisa. Chegamos mais perto, usamos um binóculo existencial para olhar cada detalhe, para examinar os pormenores, para entender onde foi que começou pequena aquela situação que hoje se agiganta à nossa frente e que nos faz tremer de medo.

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Só que tem vezes que não é o olhar de perto que vai nos ajudar; é, ao contrário, um certo distanciamento que nos garante um perspectiva mais completa do que está acontecendo. É como se precisássemos usar, de tempos em tempos, um binóculo invertido diante da vida, para em vez de olhar microscopicamente cada detalhe sobre nós, a gente pudesse ampliar o cenário para entender melhor o que está acontecendo.

Às vezes o caminho percorrido foi tão longo que só desfazendo o zoom é que a gente compreende o todo, o ambiente em que estamos inseridos, o trajeto completo que foi percorrido (e não apenas as partes dele vistas separadamente) e, talvez ainda mais importante, qual o restante do caminho que ainda segue sem ter sido explorado: quais as opções daqui para frente? O que eu já fiz em outras situações parecidas e que não funcionou tão bem? O que foi que aconteceu no quilômetro 3 que se reflete tão intencionalmente no quilômetro 28 da minha vida?

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Há dias em que olhar de perto não ajuda, te isola do cenário completo, te bitola numa situação pontual e te afasta de perceber o que está por trás daquilo tudo. O binóculo invertido, no entanto, por vezes é uma ferramenta fundamental que nos ajuda a ver o que aquela situação significa dentro de um contexto, o significado maior que ela representa, o desejo escondido que ela reflete, a dor renegada que não some apenas porque não se admite a sua existência.

Por vezes, o melhor recurso está em abrir a gaveta da alma e lançar mão do binóculo invertido. Se olhar de longe pode ser a melhor coisa que você pode fazer por você.

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Categoria: Diário de Madame, Moda
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3 comentários
  1. Dami

    Várias verdades, mas às vezes é difiiiiiicil… rsrsrs

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  2. Juliana

    Martinha! Sinto que esse texto é fruto das suas sessões de terapia… Ontem fui à minha primeira sessão depois de quase 18 anos da primeira vez em que tive contato com isso… E já na primeira sessão, só de começar a “vomitar” coisas pra terapeuta ter ao menos um panorama pra começar o trabalho comigo tive essa clareza de como coisas que aconteceram no passado que eu nem me recordava tanto podem estar influenciando meus pensamentos hoje… Estou exatamente nesse exercício do binóculo invertido e ele é realmente surpreendente e esclarecedor! Aproveito pra lhe agradecer por estar compartilhando sua experiência na terapia pq isso me força de vontade pra tirar da gaveta esse projeto de voltar a fazer terapia, agora de forma mais consciente (já que dá última vez meus pais me levaram, hoje, ir foi uma decisão minha!)

    PS.: Costumo passar aqui pra ler e tenho um “bug” do seu blog pra te reportar! Toda vez que acesso seu blog, sou redirecionada pra uma página de propaganda, na maioria de sites de cunho sexual. E isso só acontece com seu blog, em qualquer dispositivo que eu queira acessar (meu laptop ou meu celular). Sempre preciso acessar seu site, esperar a propaganda indesejada dar um “oi” e depois acessar seu site novamente pra poder lê-lo!

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