post da Martinha Fonseca

The Crown: somos todas Elizabeth

Diário de Madame

07 nov 16

Como boa viciada em séries que sou, tirei o fim de semana tranquilo que tive para acompanhar a estreia de The Crown, série produzida pela Netflix e que estreou nessa sexta-feira, 04. Se você não viu ou não sabe nada sobre ela, resumidamente eu te explico: The Crown fala sobre os primeiros anos do reinado de Elizabeth II, com seus dramas políticos e familiares bem intrigantes. Eu, que tenho uma queda por uma série com pé no passado, amei cada pedacinho da trama! Ainda faltam alguns episódios para terminar a primeira temporada (ainda não está confirmada a produção de uma segunda, mas tomara, né?), e por isso mesmo não dá para analisar completamente a série ainda. Mas não tem problema, não, porque eu não vim propriamente para falar da série em si, mas sim sobre o que ela me fez pensar.

A rainha Elizabeth II foi surpreendida com dois acontecimentos inesperados na sua vida: seu tio, então rei da monarquia, abdicou do trono, colocando seu irmão (pai de Elizabeth) na linha de sucessão. O Rei George VI reinou por 57 anos quando faleceu de câncer de pulmão. Foi então que Elizabeth II, antes longe de qualquer pretensão ao trono, tornou-se rainha do Reino Unido.

Não é preciso muito para imaginar o tanto que um acontecimento como esse transformou a vida da agora rainha: protocolos, compromissos, expectativas, modo de agir, modo de pensar, preocupação com a imagem, com o legado, relação com a família, etc. Tudo tão avassalador que me fez pensar no fardo que é tornar-se rainha. Para além do sonho, da pompa e das benesses que muitos imaginam, uma coroa na cabeça traz muitos compromissos a serem cumpridos e tarefas a serem executadas dentro de um ritual específico que não pode ser alterado ou desrespeitado de alguma maneira. É tenso.

Toda a cena me fez pensar também que, embora plebeus, nós aqui, do outro lado do portão do Palácio De Buckingham, também temos as nossas próprias coroas, com seus fardos, renúncias, abdicações, compromissos e expectativas. De algumas forma, se me permitem o uso do modismo, somos todos Elizabeth. E quer saber? Dá menos desespero pensar assim.

Porque no meio da agonia, da tensão, do estica-e-puxa de ser você e atender expectativas, cumprir com responsabilidades e respeitar alguns rituais imutáveis da vida, a gente sempre acha que está sozinho, que o sofrimento é só nosso, que só é difícil para gente. Mas engole esse choro e enfrenta essa vida, garota!

Minha mami poderosa dizia com uma certa frequência: “marta, quem muito abraça pouco aperta”. Em termos mais diretos, posso dizer que o que ela me aconselhava é que não dá para ter tudo na vida. Uma hora você vai precisar fazer escolhas, uma hora você vai ter que renunciar uma coisa que você quer em detrimento de algo que você quer muito ou que você precisa. Nem tudo na vida é movido por gostos e vontades. Tem uma parcela enorme aí de atitudes que são tomadas por obrigação, por ser o certo, por ser o que se espera, por ser o lógico.

Às vezes diminuir o drama, respirar fundo e ir lá e fazer, ir lá e dizer, ir lá e cumprir com nosso papel é o que nos resta. Digo, é claro que há a possibilidade de reclamar, questionar, fazer birra, espernear, lutar contra a maré, ser o chato, ser o diferente quando não há necessidade. Mas temos que admitir que também existe valor em parar para entender que, como dizia Chorão, “cada escolha, uma renúncia, isso é a vida“. Traz os mesmo resultados e por vezes nos poupa um montão de energia desperdiçada a troco de nada. Já parou para pensar nisso?

Aproveita o início da semana, assuma sua dose de Elizabeth II na vida e independentemente de ter desejado ou não que certas situações acontecessem na sua vida, as enfrente, tome as rédeas. Coloque essa coroa na cabeça, chore menos e aja mais.

The Crown

ps: esse semana não tem fotinha para colorir o Diário de Madame. Estou com 2 vlogs atrasados para editar e compartilhar com vocês, então fiquem tranquilas que vai ter muita rotina de madame ainda essa semana para conferir, tá?

 

 

 

 

 

Categoria: Diário de Madame
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1 comentário
  1. Luane

    sensacional seu texto!! li 2 vezes, inclusive! haha
    arrasou!

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