post da Martinha Fonseca

De bunda, de cara, de pé

as lições da ginástica olímpica

15 ago 16

Na primeira Olimpíada cheguei como grande possibilidade de medalha e caí de bunda; na segunda, caí de cara; e hoje, caí de pé. Mostra que todos nós, se cairmos, podemos voltar de cabeça erguida“.

A não ser que ontem você tenha ido passar o dia dos pais em marte, você sabe que essa frase maravilhosa foi do igualmente maravilhoso Diego Hypolito, após a volta por cima e o prata na final do solo nas Olimpíadas Rio 2016. E que lição de vida, né?

Porque o fato é que quando os “não´s” da vida vem aos montes e tudo que você faz é se perguntar se a vida já não se cansou de te dar rasteiras; nessa hora, é bem difícil expandir os horizontes, olhar a cena como um todo e enxergar uma luz no fim do túnel. Nessa hora, é só desespero mesmo.

Mas às vezes, com uma entrevista e uma frase incrível como essa, a vida nos dá uma chance de um respiro de alívio, uma certeza – ainda que tímida – de que não é só com você que as coisas dão errado. Tem gente que apesar de já estar do outro lado do rio, nadou à beça contra a maré, engoliu água, se atrapalhou com as marolas de barcos enormes que passavam ao lado, e, ainda assim, chegou ao seu destino final, na margem, lá do outro lado. Saiu vitorioso, assim como podemos nós mesmas sermos um dia. Se a gente não se revestir de vitimismo e pessimismo, a gente consegue ver também que a vitória do outro que se mostra agora tão incrível, foi permeada por muita luta, muita força de vontade, muita resiliência, muita, mas muita persistência.

A questão problemática costuma ser o fato de a gente imaginar uma cena, criar expectativas, nutrir sonhos e querer que tudo saia dentro dos conformes, exatamente como foi projetado. E por mais que, por um lado, a gente saiba que a vida não segue roteiros, por outro lado, a gente insiste em se apegar àquele plano que a gente traçou, querendo que cada milímetro dele aconteça, na hora certa, no momento certo. Ou, pelo menos, do que a gente pensa que é o momento certo.

Daí vem Diego Hypolito, e numa fala de extrema simplicidade, resume tudo que a gente precisa aprender, e que ele mesmo já mostrou que custou a aprender: um dia a gente cai de bunda (mesmo quando tudo indica que você se sairá bem), no outro a gente cai de cara (porque não dá para duvidar que o que está ruim pode sim ficar ainda pior) e aí, finalmente, a gente tem a chance de cair de pé.

Nenhuma vitória vem fácil – e tão pouco é fácil aceitar as derrotas no meio do caminho. Mas ó, vamos combinar uma coisa? Quando tudo apertar, quando a vida parecer impossível, quando a ansiedade do incerto te consumir dos pés à cabeça, quando o coração apertar porque o roteiro não foi cumprido, respire fundo e repita junto comigo: de bunda, de cara, de pé.

<3

 

 

 

 

 

Categoria: Diário de Madame