post da Martinha Fonseca

Agradar não tira pedaço

estou de volta, madames!

11 jan 16

Tenho para mim que as pessoas têm esquecido ou subestimado o valor de se manter tudo em ordem, e de seguir um pouco a ordem das coisas. É um tal de “sou livre“, “faço o que quero“, “não preciso entender às expectativas de ninguém” – que, sério, às vezes me intriga. Qual a dificuldade das pessoas em admitir que não vivem só no mundo?

A vida em comunidade, por definição, implica em um certo nível de concessão. Não dá para viver como se não houvesse amanhã (porque haverá), não dá para agir como se as pessoas não depositassem um certo nível de expectativa em você. Um certo nível de expectativa normal, eu digo. Uma loucura aqui, outra acolá, óbvio, não faz mal a ninguém. Mas um pouco de ordem aqui ou acolá tampouco.

Sim, esperáva-se que você se comportasse de um jeito na época da escola, depois de outro jeito na época da faculdade, e há outras expectativas sobre você, seu comportamento e suas metas quando você chega à vida adulta, com um rotina profissional. É claro que tenho completo pavor – e acho que já disse isso em algum lugar, em algum diário de madame – dessa loucura da “mulher de 30”, claro. Não é esse tipo de expectativa a que me refiro e que hoje defendo um certo nível de atendimento: “você tem 30 anos, tem que casar logo, seu corpo já já não poderá mais ter filhos de forma saudável e segura”.

Bitch, please. Não é isso. Aos 30 eu não tenho que casar coisa alguma.

O que digo é que um certo nível de expectativa – sua sobre você e dos outros sobre você – é o que mantém o mundo girando, e o que, muitas vezes, te estimula a sair da sua zona de conforto. No trabalho, por exemplo, é bom saber que expectativas seu chefe tem sobre você, e trabalhar para atendê-las; sua carreira depende também desse tipo de preocupação e desse nível de se importar com a opinião de outra ou outras pessoas (escolhidas a dedo, é claro).

Na vida amorosa, é bom também atender às expectativas de outra pessoa – ainda mais se elas combinarem com a sua idéia de colaboração, de compartilhamento de vida e projetos juntos. Nem sempre a sua vida é o fator balizador das decisões e realmente não um relacionamento “bem sucedido”sem esse tipo de concessão em alguns momentos. Na vida pessoal, da mesma forma: não vivo para agradar meu pai e tem uma hora, quando você se torna adulta de verdade, que você já é capaz de pensar sozinha e de construir o mundo a sua volta sozinha, sem papai ou mamãe para orientar. Mas, por respeito, ao meu ver, não faz mal considerar a visão deles de mundo e ver em que você pode se encaixar um pouco, aqui ou acolá, para agradar. Sim, a-g-r-a-d-a-r. Que mal há nisso?

Me assusta esse mundo de pessoas que não se importam com as outras, que colocam a sua vontade de forma anárquica sobre tudo e todos, e se envaidece disso em redes sociais. Sim, é preciso se defender de padrões pré-estabelecidos e de regras engessadas. O mundo não teria mudado tanto – para melhor, acredite – se as regras de convívio social e familiar de 1920 ainda fossem respeitadas ao pé da letra. O feminismo que o diga.

Mas em tempos de mudanças e de caos, um pouco de respeito à ordem das coisas, à hierarquia, e um pouco de importância às expectativas e opiniões que pessoas importantes na sua vida têm, não só não faz mal, como faz muito bem. Não vejo demérito em querer agradar quem eu amo, e quem me ama. Agradar, atender a expectativas de outras pessoas, e tirar seu corpo do centro do seu mundo de vez em quando não arranca pedaço.

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Oi madames!!!

êeee, eu estou viva, cheia de energia para começar o ano depois de uma semaninha quase que totalmente off – dei sinal de vida mais pelo snapchat do que pelo instagram, até! O nosso primeiro Diário de Madame do ano está com essa reflexão aí em cima, e aqui embaixo, ainda não teremos fotos com os highlights da semana porque eu basicamente fiquei deitada na cama vendo netflix. Amanhã, inclusive, no video de terça, eu vou contar um pouquinho sobre o que fiz nessas mini-férias, deixar vocês a par de tudo, e contar um pouco sobre minhas metas para 2016 aqui no Armário de Madame também. Estou animada para os dias irem passando, e a nossa amado rotina se estabelecer aqui novamente.

Estavam sentindo minha falta, madames??? Estou ansiosa aguardando os comentários de vocês, tá? <3

sim, i’m back!

 

Categoria: Diário de Madame