post da Martinha Fonseca

Roupas que contam histórias

Sim, minhas roupas contam histórias sobre mim. E as suas?

25 jun 14

Uma das coisas que mais me tiram do sério atualmente é quando alguém me vem com aquele papo de que moda é futilidade. Às vezes não é um papo em si, mas um olhar reprovador, de cima para baixo, construído sob a idéia boba de achar que, porque tenho um blog de moda ou porque simplesmente gosto de moda, eu estou ocupando minha vida útil com algo inútil. Nada mais bobo, nada mais preconceituoso, nada mais sem sentido.

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Eu não sei vocês, mas quando abro meu armário todos os dias para me arrumar, eu não vejo apenas pedaços de tecido ali, aleatoriamente pendurados em cabides ou dobrados em gavetas. Mais do que uma obrigação ou convenção social (afinal, você sai nua de casa?), as nossas roupas e, mais importantes, o que nos fazemos com elas, dizem muito sobre quem nós somos, o que fazemos, onde andamos e que histórias vivemos. Sim, minhas roupas contam histórias sobre mim. E as suas?

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Tem uma saia de oncinha que eu amo de paixão – olha ela aí em cima, na foto! Amo não apenas porque ela é linda de morrer e sempre quebra um galho quando aquele clássico momento “não sei o que vestir” acontece, mas porque eu estava vestindo essa saia quando uma grande amiga mostrou para mim porque a vida tinha colocado ela no meu caminho. Foi quando eu estava vestindo essa saia de oncinha que senti um dos piores ‘abandonos de amor’ pelos quais já passei. Foi um misto de sentir que fui deixada para trás com um sentimento de revolta que me foram, mais tarde, essenciais para determinar e correr atrás de uma das melhores decisões que já tomei na vida: o de lutar por mim! Não tem como não lembrar desse episódio quando olho para essa saia. E aí, todas as vezes que a vida me traz situações em que preciso achar aquele super power que fica guardadinho láaaa dentro, láaaa embaixo de tudo, é dessa saia que eu lembro e do tanto que ela me lembra que eu sou capaz.
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Dia desses, olhando umas fotos antigas no iPhone, parei na foto de quando fiquei pela primeira vez com Dan. Estava pronta para sair de casa, com essa saia linda de paetês, e querendo saber se tinha acertado, mandei para uma amiga a foto do look, dizendo: “tá bom assim? Vou ganhar elogios quando entrar no carro?” (hahaha quem nunca, né?). Abro um sorriso imenso só de lembrar dessa conversa! Primeiro porque minha amiga estava lá, online, pronta para me responder e me dar apoio; segundo porque, sim, eu ganhei elogios!! Aliás, foi dessa saia que mais senti falta quando ganhei uns quilinhos no final do ano passado. Ainda bem, o #saúdedemadame segue firme e forte e há um tempo eu já voltei a usar essa danadinha. oba! :)

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Faça um exercício, abre seu armário e veja quantas histórias encontra ali. Quantos cinemas com suas amigas aquele cardigan presenciou, quantas reuniões importantes aquela camisa de botão (a camisa da sorte!!) te acompanhou, a quantos programas inesquecíveis aquele sapato alto te levou. Sou capaz de me perder em histórias divertidas, engraçadas ou trágicas, mas importantes, que vivi só de olhar o meu armário. Certamente, cabem mais histórias ali do que a quantidade de roupas, em um primeiro momento, pode dar a entender.

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Um mesmo sapato preto, comprado em SP durante a viagem que fiz para ver o show da minha vida (John Mayer, seu lindo, ainda vou te ver de novo!!!), estava presente também no meu jantar de um mês de namoro (hihihih), em um casamento com histórias absurdamente engraçadas e em mais um montão de look do dia que compartilho com vocês aqui ou no instagram.

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Esse short jeans, mais curinga que qualquer outro, é tão cheio de histórias como as pedrinhas já caídas podem sugerir. Estava com ele no Trivela mais épico da minha vida!!! Até hoje dou risada, e até hoje essa história vira “hashtags” loucas em fotos no instagram (hahaha não é uma delícia encher a foto de hashtags que só você e seus amigos entendem?).

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Ai ai ai, poderia ficar aqui narrando mil histórias e reflexões sobre tudo que já vivi com essas roupas… no momento em que faltasse inspiração, era só levantar da cadeira, ir até o quarto, abrir o armário e mais um montão de coisas viriam à cabeça. É incrível viver assim, cheia de histórias para contar, de risadas para lembrar, de aprendizados para reforçar.

É por isso que reforço o meu convite: faça um exercício, abra seu armário e veja quantas histórias você é capaz de encontrar ali. Roupas paradas ocupam espaços e contam, no máximo, uma pequena frase sobre monotonia. Estão longe de contar histórias completas, com início, meio e fim! Passe adiante o que não diz nada sobre você ou o que te lembra coisas ruins. Abra espaço para enxergar novamente peças que te fazem sorrir e lembrar de coisas boas; abra espaço para peças que de fato vão te trazer experiências novas, amizades para vida toda, amores novos ou novas histórias com seu amor antigo. Parece tentador, não?

A7Blusa | Saia | Quimono – Alane’s

Foto: Marianna Calmon

 Viver é para poucos. Seja um desses, madames. :)

 

 

 

Categoria: Moda