post da Martinha Fonseca

Diário de Madame: “quero o relatório pronto na minha mesa daqui a 2h!”

10 fev 14

Sabe, eu adoro quando a vida manda recado, nos faz lembrar que não estamos sós, que difícil e cheia de batalhas é a vida de todo mundo, não só a sua. Acho poético, me faz bem, me traz alívio. Me dá forças.

Sábado fui ao cinema com o boy e o irmão. A intenção era assistir algum filme bacana que estivesse passando na sala vip no cinema do Shopping Barra – mas essa é uma proeza que ainda não alcancei! Só vive lotado aquilo lá…

Daí que acabei indo para uma sala comum mesmo, e na última fileira do cinema, ao lado de um casal de namorados adolescentes que certamente não lembram de nenhuma cena do filme, assistimos, nós três, a “Menina que roubava livros”. Lembro que há anos atrás tinha começado a ler o livro, mas não lembro o porquê de não ter chegado ao fim. Sabia da história muito pouco e lá fui eu, com pipoca na mão, assistir o filme.

E que saber? Que filme lindo é esse, minha gente?

Não sou nenhuma especialista em cinema, não sei analisar narrativas de forma crítica; apenas sei dizer – esse filme me tocou. Simples assim. Foi de uma leveza, de uma sensibilidade…nossa, estava precisando ver aquilo!

É que desde que minha mãe morreu (desculpa sempre trazer esse assunto à tona, mas é que marca né? e foram tantas lições..), um turbilhão de coisas aconteceram na minha vida. E eu nem me refiro ao luto em si – foi algo muito maior que isso. Foi um tal de aprender a me defender, que valha minha nossa senhora…como foi difícil! Aliás, foi e ainda é, né? Porque quando a gente acha que já viu de tudo, já passou por tudo, já aprendeu tudo, vem a vida e diz opa, opa opa…calma aí minha feeeelha, ainda tem mais isso aqui para aprender ó! Toma aqui“.

Tipo aquela cena clássica de filme, que a moça se acha vitoriosa porque conseguiu dar uma baixa nas pendências que têm no trabalho, e logo depois aparece o chefe carrasco, joga uma pilha de papéis na mesa da menina, e solta a frase: “quero o relatório pronto na minha mesa daqui a 2h“. Tipo…oi? Tipo…tá doido, meu querido?!

A vida nem sempre é fácil, mas é sempre possível. Acredito muito nisso, aprendi nos tempos que frequentava a igreja, que Deus não dá a ninguém uma batalha maior do que essa pessoa é capaz de aguentar – e levo comigo essa lição até hoje! É de uma alívio tão grande trocar o “por que isso está acontecendo comigo?” para “para que isso está acontecendo comigo? que tipo de coisa eu posso aprender dessa vez?”. Entendem a diferença?

No filme, a pequena Liesel, vivendo na Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, descobre nos livros um refúgio e uma fortaleza para aguentar as pancadas que a vida, desde cedo, lhe dava. Ela é doce e o filme, apesar de se passar durante um dos períodos mais tristes da história, é lindo de ver. Dá um nó na garganta, mas de uma forma positiva, sabe? Inspirador..

Dia desses estava numa reunião de trabalho, e o que era para ser um papo sobre blogs, parcerias e posts, virou um papo sobre como a vida é interessante, e como a grande sacada para ser feliz (ao nosso ver, pelo menos) é entender como a vida é difícil, como as pessoas más no mundo existem de forma numerosa e como é possível viver e ser feliz mesmo assim. Crescer, viver, aprender, e ser feliz. Olhar como o mundo está de pernas pro ar e não se amargurar com isso ou por isso.

Essa semana que passou, desde o último Diário de Madame, foi totalmente diferente do que tinham sido os dias anteriores. Ao contrário do ritmo acelerado que narrei no post anterior, essa semana foi preenchida por dias mais calmos (ainda bem, meu corpo não aguentaria duas semanas seguidas iguais àquela). Fiz o que faço todo dia – posts, vídeos, emails e respondi comentários – e ainda outras coisinhas burocráticas que todo mundo, vez ou outra faz, e que não são necessariamente legais e animadoras: fui ao dentista, tive consulta com meu personal, passei horas no SAC para tirar a segunda via da minha carteira de motorista que perdi em algum buraco negro dentro do meu próprio quarto… e outras coisinhas do tipo.

Nada que me faça gritar “ieii!” de tanta animação, mas foi bom assim, sabe? Deu tempo de fazer coisas tranquilas, como ir ao cinema, almoçar com o namorado (ele aguentou com louvor meu mau humor ontem…um santo, esse menino! hihih), e refletir sobre a lição que venho aprendendo nos últimos anos e que o filme reforçou em mim. É bom olhar o passado e ver o que já fiz; é desafiador olhar para o futuro e ver o que ainda posso fazer. Mas é ainda melhor – infinitamente melhor – olhar para o presente e perceber o que eu posso fazer agora por mim, pelos meus amigos, pela minha família, pela minha felicidade. A vida acontece agora: e se ela vier cheia de papéis empilhados na sua mesa, respire fundo e vá. Afinal, você não tem muita opção quando ouve da vida “relatório pronto em 2h!”, néam???

Boa semana, madames! :*

ps: esse post veio sem fotos, porque não deu para clicar nada interessante enquanto estava na cadeira do dentista com algodões na boca ou enquanto passava 5h na fila do SAC. Sorry. Mas espero que leiam esse post mesmo assim…ah! e se pensarem em algo legal para comentar sobre o que escrevi (o filme, as lições ou os relatórios da vida), não hesitem. É tão legal quando vocês comentam…conheço mais um pouquinho sobre vocês ;)

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