post da Martinha Fonseca

“Sou daquele tipo meio menina bruta”

10 jan 14

Dias desses, atualizando os emails e recados do Facebook nessa primeira semana pós-férias, recebi o texto de uma madame-leitora que me chamou atenção. Já recebi e continuo recebendo (ainda bem, porque eu adoro!) vários recados de vocês me pedindo algum tipo de ajuda: seja sobre onde comprar o babyliss que eu uso, como se vestir adequadamente para uma determinada ocasião – casamento, batizado, balada, reencontro com o ex e por aí vai!; ou onde comprar aqui em Salvador vestido de formatura. Já teve todo tipo de assunto. Mas, recentemente, um me chamou atenção em especial.

A madame pediu ajuda para se vestir. Segundo ela, apesar de comprar relógios, sapatos, brincos e roupas, ela não consegue se vestir, se sente desanimada principalmente porque, segundo palavras dela, ela faz o tipo “menina bruta”.

Fiquei pensando cá com os meus botões o que seria uma menina bruta e porquê uma menina bruta não conseguia se olhar no espelho e se sentir feliz com o que vê…

Digo para todo mundo que toca nesse assunto comigo que acho bacana e inteligente pensar a moda como uma expressão do que a gente é. Podemos comunicar algo sobre a gente por meio de gestos, das nossas atitudes, do que a gente fala, mas também através do que a gente veste. Daí a importância de sabermos quem nós somos, de fazer essa caminho de auto-conhecimento, por mais cafona que essa frase possa soar – parece livro de auto-ajuda, néam? Mas é verdade! Não tem como “saber se vestir” sem saber quem você é: como expressar algo que você não sabe o que é? 

Voltemos ao caso da “menina bruta”. Conheço incontáveis meninas que poderia encaixar nesse padrão: elas não gostam de usar salto, calça jeans e blusa pólo/básica são a roupa que elas usam com mais frequência, e mix de pulseiras ou maxicolar não são bem palavras que fazem parte do seu vocabulário. Mas e aí, o que é que tem? São menos mulheres por isso?

Volto a dizer: o importante é saber quem a gente é. Vai lá, busca, fuça, testa, experimenta… uma hora você acerta, acredite em mim. Não adianta só ler revistas, acessar blogs e querer se vestir igual a fulana ou sicrana. É preciso dedicar um tempinho para operacionalizar e racionalizar algo que a gente faz desde que a gente se entende por gente mas que a gente nunca parou para prestar atenção: se vestir.

Se vestir, todo mundo sabe; pensar esse processo é que a grande sacada.

Até hoje uma das coisas que mais adoro fazer é observar as pessoas na rua, o jeito que se vestem, porque aquele look ficou bonito em fulana, porquê não ficou. E não faço isso para medir e julgar alguém. Faço para exercitar o meu olhar, pensar, comparar, aprender, na imagem da outra pessoa, algo novo sobre mim: se nela ficou bonito, em mim ficaria também? Eu me vejo usando isso? Se sim, por quê? Se não, porquê não?

Não é porque todo mundo gosta do estilo de tal pessoa (blogueira, celebridade, amiga ou colega de trabalho) que você tem que gostar também – e reproduzir. Às vezes a menina usou uma saia lápis de oncinha e uma blusa listrada no look do dia e você achou lindo. Mas se seu estilo é mais bruto, gosta mais de calça jeans, por que não adapta a idéia e usa a tão amada calça com a blusa listrada e a oncinha no cinto, de forma mais discreta? Sem falar que, se formo falar de itens e styling de moda atual, nada mais boyish e mais in do que blusa quadriculada amarrada na cintura, blusa jeans, tênis esportivo em look utilitário, macaquinho e por aí vai!

Se o outro look que você viu combinou azul e amarelo e você achou lindo, por que você não tenta fazer isso com seu look usando as peças que você já tem? Às vezes o azul e amarelo dela, é o seu vermelho e rosa, ou roxo e preto…vai saber! Tudo depende de quem você é e de como você quer que as pessoas te enxerguem.

É muito chato acordar todo dia, se olhar no espelho, e não gostar do que vê. No entanto, mais chato que isso é perder tempo sem perceber que reclamar não adianta. A vida é sua, os problemas são seus e a possibilidade de resolver também é!

Toma as rédeas da sua vida, perde o medo de errar, confia no seu taco e vai, madame, arrasa! :*

Categoria: Sem categoria