post da Martinha Fonseca

Ritmo louco!

19 ago 11
Na minhas leituras e estudos diários sobre moda, um assunto recorrente anda ocupando minha cabeça: o ritmo indiscutivelmente rápido que as tendências aparecem e desaparecem na moda e a boa consequência que pode derivar disso.
Esses dias li sobre como funciona o ciclo de vida de uma moda:
1. Invenção /  introdução: quando um designer, figurinista ou consumidor inovador busca novo objetos, normalmente fabricados em pequenas quantidades ou feitos sob encomenda.
2. Liderança de moda: quando um pequeníssimo grupo de pessoas, normalmente líderes de opinião, adotam o novo modismo.

3. Visibilidade social: quando um número maior de pessoas conscientes de moda passam a adotar o modismo, tornando-o visiível aos diferentes grupos sociais. É quando a indústria já começa a fabricar em maior quantidade.
4. Disseminação: a moda é aceita pela sociedade através de mecanismo de comunicação e marketing
5. Saturação social ou uso em massa: a moda se torna extremamente popular e comum, é fabricada em massa.
6. Declínio e obsolescência: novas modas surgem e os consumidores passam a substituir a moda saturada pelos novos modismos.
****trecho retirado do material didático do curso de Consultoria de Imagem da EnModa.


Tudo bem explicadinho, etapas bem diferenciadas e em sequência organizada até que vêm a internet, os blogs de moda, os sites de streetstyle, as revistas de moda em versão digital e tcharam, bagunçam tudo.
Veja o exemplo do colorblocking:  teoricamente, essa é uma tendência nascida para ter seu boom durante o verão 2012 – e, se olharmos para o hemisfério norte, por lá foi assim na equivalente temporada de verão 2011, com o auge do colorblocking se encerrando agora em setembro, quando, por lá, se inicia o outono.
Acontece que, embora o nosso “verão colorblocking” ainda nem tenha chegado, a gente já ouve falar e tenta usar a tendência no dia a dia há um tempo (e aqui eu sou totalmente culpada nisso!). Há tanto tempo, aliás, que já ouvi de várias amigas minhas (blogueiras e não blogueiras) a seguinte frase: “aff, é tanta gente falando nisso, que já nem tenho mais saco para usar, falar ou ouvir sobre colorblocking”. 
Mas aí eu me pergunto: ué, a tendência nem começou e o povo já se cansou dela?
Para mim, a moda está vivenciando um momento que antecede grandes mudanças. É verdade que cada vez mais o hemisfério sul, de uma forma geral, tem fica mais independente das modas lá de cima – no sentindo de que a moda de lá influencia a de cá, mas não necessariamente é copiada do início ao fim pelos designers e estilistas daqui. Mas se a internet continuar a permitir a troca de informações de uma maneira tão rápida e intensa como tem sido ultimamente, esse processo de “independência” terá que acontecer de forma mais rápida até mesmo por uma questão de sobrevivência, não acham? Digo isso porque, se as lojas de preparam para vender uma tendência que na teoria está na fase de “visbilidade social”, mas na prática, para muitos, já se encontra na fase 6, de “declínio e obsolescência”…. alguém vai sair perdendo dinheiro aí. 
É nesse ponto que as lojas fast-fashion tem ganhado cada vez mais vibisilidade. Elas entendem a “necessidade” do público de encontrar nas araras as novidades que ele vê nos blogs e sites de moda – ainda mais porque uma moda com ciclos tão rápidos assim não pode custar muito caro, né?
No fim, o que eu queria mesmo era ver as outras lojas, as não declaradas como fast-fashion, adquirirem essa capacidade de renovação. Ainda que não de forma tão fast, seria interessante, ao meu ver, que tais lojas percebessem que de certinha e quadrada, a moda nada tem, e que não necessariamente o que for moda no hemisfério norte agora só poderá chegar aqui depois que se passarem 6 meses.
Está aí a grande oportunidade de acelerar o processo de independência das marcas e lojas daqui. Por que esperar criarem lá primeiro para fazer cópias e inspireds aqui, depois? Por que não observar sempre as necessidades, as vontades, os desejos do cliente e procurar atendê-los?
As lojas virtuais estão aí, ao alcance da maioria dos mortais, colocando à venda as coleções de verão de lá quando aqui ainda é inverno, e suprindo esse desejo por novidade e por tendências de moda que já estão bombando em outros países.
É como eu disse aí em cima: não havendo mudanças por aqui, alguém vai sair perdendo dinheiro nessa. 


Não acham?
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