post da Martinha Fonseca

Um recadinho de madame

08 maio 11

Eu não lembro exatamente e especialmente de nenhum dia das mães que passei com minha mãe. Fiz esforço esses últimos dias para lembrar de um presente que tenha dado a ela, de uma comemoração especial, de um momento, de uma palavra. Nada. Não consigo lembrar de nada. Daí que fiquei pensando  tempão o porquê de não lembrar de nenhum dos 21 dias das mães que passei com ela.

Perdida em meus devaneios e memórias, na minha viagem por lembranças de dia das mães, eu comecei a me lembrar de outras coisas. Comecei a lembrar da presença discreta de minha mãe nos meus treinos de vôlei, nas minhas apresentações de ballet (nas quais, frequentemente, eu era só mais uma no meio de uma multidão), nas feiras de matemática na escola, nas minhas provas de vestibular. Lembrei como foi esquisito dar tchau pra ela quando fiz intercâmbio pela primeira vez para Austrália (2003) e lembrei também como eu falava com ela pelo skype tantas vezes e por tanto tempo enquanto estava na Espanha (2008/2009) que parecia que nem havia saído de casa. 
Lembrei das nossas viagens – e especialmente da nossa última viagem juntas, para Londres e Paris. Lembrei dos casamentos e formaturas que fomos juntas (meu pai sempre fugiu desses eventos sociais), dos encontros com as amigas dela que eu frequentemente dava um jeito de ir também e das manhãs de sábado que íamos fazer supermercado. Lembro da folia que fazia nos domingos em família e da alegria que ela conseguia multiplicar nas viagens anuais que fazíamos no verão para uma praia no sul da Bahia.
Lembrei do sorriso dela, da energia dela e da torcida que ela fazia para eu acertar nas minhas escolhas na faculdade. Lembrei quando nos mudamos para o apartamento onde moro atualmente e do sonho que compartilhamos de fazer minha festa de formatura no chateau de eventos daqui – sonho este que tive que concretizar sem ela. Lembrei das conversas que tínhamos, dos segredos que compartilhávamos, das risadas que demos. 
E foi por lembrar de tantas coisas que fizemos juntas, de tantos momentos bons, importantes e especiais que acabei entendendo porque não consegui lembrar de nenhum dia das mães que passamos juntas. O dia a dia, o cotidiano, a segunda-feira corrida, a sexta-feira antes do trabalho, a quarta-feira pós almoço. Tudo isso significou muito mais na minha vida com ela.
Minha mãe morreu de câncer há quase dois anos. E hoje, dia das mães, eu me lembro dela mais do que nunca, sinto saudade dela mais do que nunca – a única coisa que me tranquiliza e que me consola hoje em dia é a certeza de que, enquanto tive ela por perto, eu curti a sua presença.
Bom domingo de dia das mães para todas vocês, madames! Que vocês possam fazer desse dia mais do que uma data no calendário. Que hoje seja, sim, um momento a ser lembrado. 
Até amanhã! :)
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