post da Martinha Fonseca

Pequenos ecos de um ingênuo "ps"

31 mar 11
No post de ontem, a idéia era que a loja da Eudora fosse o assunto principal do post e dos comentários das madames. Daí que eu tive a ingênua e simplória idéia de fazer um ps sobre o consumo consciente me usando como exemplo (nada mais justo, afinal o blog é meu mesmo…) e lá se foi mais uma polêmica aqui no Armário.
Confesso que depois de tanto furdunço (obrigada, aliás, pelos comentários sinceros e não maldosos a favor ou contra ao que falei), parei para reler o que havia escrito e percebi que, em algum momento, o meu simplório ps dizendo que não havia feito uma compra tão grande no cartão de crédito pode ter soado esquisito – afinal, eu não preciso mesmo dar satisfações a ninguém sobre como pago minhas contas. Só não apaguei, voltei atrás ou corrigi o texto – e nem me dei muito o trabalho de perder mais do 5 minutos em reflexão sobre os comentários negativos a respeito dele – porque eu sei que, mais do que exibicionismo, atitude desnecessária ou vontade de querer informar como pago minhas contas, a intenção do comentário era muito maior e conectada com algo muito mais importante do que um simples relatório financeiro pessoal, que é a responsabilidade de quem fala sobre moda promover também uma reflexão sobre esse universo de desejos.
Sim, a moda é movida a desejos. Os desfiles, as vitrines, as publicidades, os red carpets, as revistas e até os blogs estão aí para isso: para colocar a moda em pauta, para dar destaque a determinados produtos e para desenvolver conceitos positivos sobre eles. Mas daí a achar que moda é só isso, é um erro. Um erro bastante grande, é verdade, mas, apesar disso, bastante corriqueiro, frequente e até comum.
É comum ver meninas desejando ter o que não podem e fazendo compras mirabolantes em mil parcelas no cartão de crédito só para ter a it bag do momento, para se encaixar numa tendência, para ser igual àquela it girl usando todas as it roupas, os it acessórios e qualquer outro it que esteja na moda. E onde é que isso é certo, minha gente? Onde é que ver num blog que uma marca é legal e que a blogueira X ou Y usa esse ou outro produto e querer, a todo custo,  ter esses produtos também está certo? Hein?
Apesar de amar falar de moda, colocar moda em pauta, compartilhar meus desejos de compras e até incentivar esses mesmos desejos nas minhas leitoras, eu não posso ignorar que, em alguma medida, isso pode causar efeitos ruins em quem passa por aqui. Não posso, como formadora de opinião, fechar os olhos para essa cafonice de querer a todo custo ser igual a alguém, a todo custo ter os mesmo hábitos de compra que alguém só porque você admira esse alguém. 
Ainda que não tenha 60 mil acessos por dia como as blogueiras mais famosas, eu me cobro uma responsabilidade com as coisas que escrevo aqui e com as pessoas que diariamente dedicam uma parte do seu tempo para passar por aqui. Uma pena que tenha gente que não entenda isso, que não concorde com isso e que expresse sua não concordância de forma arrogante, frouxa e desnecessária.
Falarei de moda, das minhas wishlists imaginárias, das minhas compras efetivas e dos meus desejos fashions até quando achar que devo. Mas continuarei falando também do outro lado da moeda, da necessidade de um consumo consciente, da irritação com abordagem irritantes das marcas de fast fashion com seus cartões e de qualquer outro tipo de postagem que envolva mais texto e menos montagens, mais reflexão e menos desejos. E sinto muito se tem alguém que não concorda; ou melhor, que não concorda e que não sabe discordar de forma elegante como uma verdadeira madame é capaz de fazer.
Quem quiser perder seu tempo comentando aqui com assinatura anônimas e com textos mal educados, sinta-se à vontade. Opção minha permitir o anonimato e não apagar os comentários. Só saibam que tais palavras não me afetam negativamente; só me fazem ter certeza do meu papel aqui no Armário de Madame que é compartilhar idéias, conversar com as (verdadeiras) madames e, entre uma coisa e outra, falar de algo mais que bolsas, sapatos e maquiagem – embora tudo isso tenha lugar garantindo e especial no coração da gente, néam?
Boa tarde! :)
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